Blog : O que você precisa saber sobre a Leishmaniose Canina

O que é?

Isabela Mariano dos Santos Médica Veterinária - Clinica Santa Clara / Nova Lima - MG Pós-graduada em clínica e cirurgia de pequenos veja todos os artigos deste autor 14/12/2015 - Atualizado em 26/08/2016 h
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A Leishmaniose Visceral Canina (LVC) é uma patologia causada por um protozoário do gênero Leishmania e transmitida aos cães através da picada tatuquiras, pertencente à família dos flebotomídeos. Segundo COSTA1 (2011), o mosquito-palha é um inseto muito pequeno, que costuma se reproduzir em locais com muita matéria orgânica em decomposição.

Dependendo de propriedades, tanto do parasita como do hospedeiro, a leishmaniose canina irá se desenvolver de uma forma aguda ou crônica. De vários fatores conhecidos, a resposta dos linfócitos T é a que exerce a maior influência  sobre a infecção. Como a Leishmania é um parasito intracelular, as defesas do hospedeiro são dependentes da atividade  dessas células, que durante a infecção encontram-se reduzidas. O aparecimento dos sintomas vai depender da imunocompetência do animal. Geralmente, a doença no cão é sistêmica e crônica, no entanto a evolução aguda e grave pode levar o animal ao óbito em poucas semanas. Em contrapartida, em alguns cães a doença pode permanecer latente, levando inclusive à cura espontânea. No Brasil, a forma assintomática  da  doença é encontrada com índices variados, geralmente representa 40 a 60% de uma população soropositiva, segundo o Ministério da Saúde (2014)2.

Importante: cães de áreas indenes podem apresentar aspecto clínico compatível com a LVC, sendo importante o diagnóstico seguro, visto à expansão da doença. Detectar o cão soropositivo, removê-lo e sacrificá-lo são medidas ainda duvidosas enquanto estratégia de controle (SILVA, 2007)3.

SINTOMAS 

Praticamente todos os cães desenvolvem doença visceral ou sistêmica, e 90% deles também apresentam algum  envolvimento cutâneo. Os sinais viscerais mais comuns observados são patologia nos linfonodos, emagrecimento, muita urina, sede excessiva, vômito, neuralgia, poliartrite, infecção que causa uma dor muito forte, principalmente no tronco e outros sinais clínicos. Um terço dos pacientes apresenta febre e aumento do volume do baço. Dentre os sinais cutâneos podemos citar hiperqueratose, pelagem seca e quebradiça, perda de pelos e unhas anormalmente longas ou quebradiças4.

Schimming e Silva (2012)5 acrescentam dificuldade locomotora, perda de peso, polidipsia, apatia, anorexia, diarréia, polifagia, epistaxe e melena. Dentre os achados de exame físico, merecem  destaque a linfoadenomegalia, caquexia, hipertermia, uveíte e conjuntivite. Observaram nos cães naturalmente infectados por Leishmania, principalmente, linfoadenomegalia, alterações dermatológicas, hiporexia, onicogrifose, emaciação, mucosas pálidas, sinais oculares, hipertermia, emese e diarréia. As manifestações cutâneas na LVC podem estar presentes entre 50 a 90% dos cães infectados. Os dermatológicos podem ocorrer sem outros sinais aparentes da doença, mas qualquer cão com manifestações cutâneas da leishmaniose é considerado como portador de envolvimento visceral uma vez que os parasitas se disseminam por todo o organismo antes que haja desenvolvimento das lesões cutâneas.

O sinal dermatológico mais comum é de uma dermatite esfoliativa com escamas esbranquiçadas similares a asbestos. Essa esfoliação pode ser generalizada, mas geralmente é mais pronunciada na cabeça, orelhas e extremidades. A descamação pode ser seguida de hiperqueratose naso-digital e áreas de alopecia e, hipotricose. Com a progressão da doença, nódulos e ulceração mutifocal também podem acompanhar a descamação principalmente nas orelhas e no focinho. Outras apresentações incluem onicogrifose, paroníquia, dermatite pustular estéril, despigmentação nasal com erosão e ulceração e piodermite bacteriana.

 

O sinal dermatológico mais comum é de uma dermatite esfoliativa com escamas esbranquiçadas similares a asbestos. Essa esfoliação pode ser generalizada, mas geralmente é mais pronunciada na cabeça, orelhas e extremidades. A descamação pode ser seguida de hiperqueratose naso-digital e áreas de alopecia e, hipotricose. Com a progressão da doença, nódulos e ulceração mutifocal também podem acompanhar a descamação principalmente nas orelhas e no focinho. Outras apresentações incluem onicogrifose, paroníquia, dermatite pustular estéril, despigmentação nasal com erosão e ulceração e piodermite bacteriana.

DIAGNÓSTICO

A detecção precoce de cães infectados é fundamental para impedir a expansão da doença e é uma prerrogativa essencial para o controle da mesma. Queiroz (2010)6, ressalta que os testes sorológicos podem apresentar resultados falsos positivos por  causa das reações cruzadas com outros patógenos, já os métodos parasitológicos são mais precisos, mas também mais invasivos porque, usualmente, requerem punção de linfonodo periférico ou medula óssea.

O diagnóstico sorológico baseia-se na detecção de anticorpos anti-Leishmania circulantes, utilizando técnicas sorodiagnósticas. Os animais doentes desenvolvem resposta imune humoral e produzem altos títulos de IgG anti-Leishmania.  A soroconversão ocorre aproximadamente três meses após a infecção e os títulos permanecem elevados por, pelo menos, dois anos. Estes testes sorológicos podem falhar, por exemplo, em cães infectados no período pré-patente e antes da soroconversão.

Segundo o Ministério da Saúde, as técnicas sorológicas recomendadas para o inquérito canino são a imunofluorescência indireta (RIFI) e o Elisa. A RIFI ainda é o teste de eleição para ser utilizado em inquéritos epidemiológicos por reunir uma série de vantagens, como fácil execução, rapidez, baixo custo e sensibilidade e especificidade adequadas quando comparada a outras técnicas.

O diagnóstico clínico da LVC é bastante complexo. Apesar da ausência de sinais clínicos patognomônicos, aqueles mais comuns são: alterações cutâneas, linfadenomegalia local ou generalizada, perda de peso, aumento do tamanho do baço e do fígado, onicogrifose e apatia. A suspeita clínica é relativamente simples em cães sintomáticos, o que não representa a totalidade dos cães soropositivos. Além disso, a maioria dos sinais observados é comum a outras patologias caninas, como por exemplo, erliquiose e babesiose, e a imunossupressão causada pela infecção pode gerar infecções oportunistas dificultando ainda mais o diagnóstico clínico.

Desta maneira, a associação entre os parâmetros clínicos, epidemiológicos, parasitológicos e sorológicos faz-se necessária para o diagnóstico definitivo (COSTA, 2011). Métodos parasitológicos  que envolvem a punção de  órgãos - apesar de fornecerem  a certeza da infecção por possibilitarem a visualização do parasito - são bastante  invasivos: este método pode apresentar especificidades que chegam a 100%; entretanto, a sensibilidade é variável, uma vez que a distribuição tecidual não é homogênea (GONTIJO, MELO, 2004)7.

O método de PCR em tempo real, técnica desenvolvida por Christian A. Heid em 1996, também pode ser utilizado  para diagnóstico da LVC. A vantagem apresentada por esse método consiste no monitoramento contínuo da amplificação do DNA do parasito, o que permite a quantificação parasitária em diferentes amostras. Dessa maneira, a quantificação dos parasitos por essa técnica pode ser usada para elucidar o status de cães positivos  para a PCR convencional, especialmente em áreas endêmicas. Ao contrário da PCR convencional, que fornece apenas resultado qualitativo, o método de PCR em tempo real fornece  uma gama de resultados refletindo a carga parasitária do animal (FARIA, ANDRADE, 2012)8.

A coleta de material exfoliativo do epitélio conjuntival de cães para realização de PCR demonstrou ser um método bastante sensível, tendo sido capaz de detectar o parasito em 80% dos cães44 testados (LEITE, et al., 2010)9. A imuno-histoquímica é uma técnica de diagnóstico direto que se baseia na detecção do parasito em secções coradas de tecidos. Analisando biópsia de pele de diferentes regiões anatômicas, a imuno-histoquímica obteve sensibilidade  62,1%. De maneira similar, em linfonodos  poplíteos, a mesma  técnica apresentou sensibilidade de 92,6%; 60% e 73,9% em cães sintomáticos, oligossintomáticos e assintomáticos, respectivamente (FARIA; ANDRADE; 2012).

CONTROLE

O controle do vetor L. longipalpis parece ser o ponto convergente nas propostas de controle da LV. Os pesquisadores indicam que esta pode ser a mais importante medida a ser adotada para o controle da LV. Vale a pena ressaltar que o grande avanço na luta contra o vetor baseia-se nos resultados referentes ao uso do colar impregnado de deltametrina a 4% que, indiscutivelmente é uma medida de proteção individual a ser adotada em cães de áreas endêmicas, evitando que os insetos se aproximem dos cães e, caso se aproximem, não sobrevivam. Outras formulações inseticidas são apresentadas e representam-se como outas opções de controle. O combate ao vetor foi estatisticamente a medida de maior eficácia para o controle da doença. Os métodos de  controle do vetor utilizados  em pequenas cidades, baseados na borrifação  peri e intradomiciliar, sucumbem nas grandes cidades pela dificuldade operacional  e custos elevados (RIBEIRO,V.M.)10.

A vacina contra LVC têm sido usadas regularmente pelos clínicos veterinários do Brasil. No entanto, seu uso é  indicado para cães a partir de quatro meses de  idade, saudáveis, com exames prévios que demonstrem ausência de infecção por L. infantum. É aplicada em três doses, pela via subcutânea, com intervalos de 21 dias. O primeiro reforço é dado um ano após a primeira dose e mantém-se com aplicações anuais (RIBEIRO,V.M.). Também se recomenda o uso de colares inseticidas ou inseticidas tópicos nos cães, além do controle do ambiente com manejo mecânico e químico e adequado manejo dos cães nos horários de alimentação dos insetos.

 

1 COSTA, Carlos Henrique Nery. Disponível em:

http://uesc.br/cursos/pos_graduacao/mestrado/animal/bibliografia2013/art1_costa.pdf

2 Manual de vigilância e controle da leishmaniose visceral. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica.  1 ed., 5. reimpr. , Brasília. 2014. Disponível em:

http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_vigilancia_controle_leishmaniose_visceral_1edicao.pdf

3 SILVA, Francinaldo S.. Patologia e patogênese da leishmaniose visceral canina. Disponível em:

www.ccaa.ufma.br/revistatropica/Artigos_nr1/biologia/PatologiaE%20patogeneseDaLeishmaniose_bio_AR.pdf

4 TILLEY, Larry P.; SMITH JR., Francis W. K. Consulta  Veterinária em 5 Minutos Espécie Canina e Felina. Editora Manole ltda. 3 ed. São Paulo. 2008.

5 SCHIMMING, Bruno Cesar ; SILVA, José Ricardo Carvalho Pinto e. Leishmaniose visceral canina –

http://faef.revista.inf.br/imagens_arquivos/arquivos_destaque/QKOIwlDa047cxSZ_2013-6-24-15-1-25.pdf

6 QUEIROZ, Nina M. G. P. de; ASSIS, Juliana de; OLIVEIRA, Trícia M. F. S. 2 ; et al. Diagnóstico  da Leishmaniose Visceral Canina pelas técnicas de imunoistoquímica e PCR em tecidos cutâneos em associação com a RIFI e ELISA-teste. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbpv/v19n1/a07v19n1.pdf

7 GONTIJO,  Célia Maria Ferreira; MELO, Maria. Leishmaniose Visceral no Brasil: quadro atual, desafios e pespectivas

8 FARIA, Angélica Rosa; ANDRADE, Hélida Monteiro de.  Diagnóstico da Leishmaniose Visceral Canina:

grandes avanços tecnológicos e baixa aplicação prática . http://scielo.iec.pa.gov.br/pdf/rpas/v3n2/v3n2a07.pdf

9 LEITE, Rodrigo  Souza;  et al. PCR diagnosis of visceral leishmaniasis in asymptomatic  dogs using conjunctival swab samples. Disponível em: http://biblioteca.cdtn.br/cdtn/arpel/adobe/art-01_rodrigo_sleite.pdf

10 Ribeiro,V.M. PREVENÇÃO DA LEISHMANIOSE VISCERAL CANINA NO BRASIL . Disponível em:

http://www.ocaonaoeovilao.org.br/material/Prevencao_LVC_Dr_Vitor_Ribeiro.pdf

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